“As pessoas não bancam o ócio e não conseguem parar de produzir”

Guilherme Morais

Guilherme Morais

Head de marketing da TOPdesk

O inglês Charles Darwin, naturalista nascido em 1809, propôs que a evolução dos seres vivos ocorreria graças ao mecanismo conhecido como seleção natural, foco da obra ‘A origem das espécies’. De acordo com essa teoria, todos estariam constantemente lutando para sobreviver no meio ambiente disponível e, aqueles que melhor se adaptassem às condições, seriam mais aptos e, portanto, merecedores da vida.

O mundo digital se apropriou do conceito darwiniano e o atualizou. A ideia nasceu no início do ano 2000, antes da pandemia, mas com a chegada da Covid-19 se tornou ainda mais forte. Se adaptar e sobreviver neste mundo online agora se tornou essencialmente. Mas esse cenário nos impõe alguns questionamentos: Falta humanização? O que podemos fazer para transformar esta realidade nas empresas? É este o tema que conversamos com o darwinista digital Carlos Piazza, futurista certificado, consultor, professor e TED Talker.

Guilherme Morais: Como sobreviver a este mundo cada vez mais tecnológico e impessoal?

Carlos Piazza: Como já dizia Darwin, quem se adapta, sobrevive. As empresas do século 20 estão digitalizadas e com a pandemia fizeram em quatro dias o que não fizeram em quatro anos. E a pandemia associada à tecnologia contribuiu para aumentar a produtividade em 27% no mundo inteiro, segundo o board of innovation.

GM: Então foi boa para as empresas esta situação?

CP: Na verdade não. Não tem como absorver uma produtividade exagerada, as empresas não conseguem. E por outro lado estamos vivendo um burnout geral. As pessoas estão se matando com as próprias rotinas. Viver, trabalhar e aprender são três avatares que acontecem todos no mesmo espaço, ou seja, casa tem inúmeras outras utilidades além da moradia. 

GM: As empresas estão se dando conta disto?

CP: Sim, o próximo passo agora é fazer com que as equipes desacelerem. Neste isolamento é preciso manter a saúde mental das pessoas, já que vamos conviver com cada vez mais tecnologia e a pandemia ainda não tem data para acabar. A empatia está aumentando e a liderança é mais humanizada.

GM: De onde vem os excessos então? Não são os líderes que estão determinando isso?

CP: Em parte sim, mas a maior responsabilidade é das pessoas, pois elas não bancam o ócio, não conseguem parar de produzir. Elas mesmas deformam a relação com o trabalho e confundem a felicidade com o pagamento de boletos, fazendo tudo sem pensar.

GM: Qual seria a solução para estas pessoas que não conseguem parar de trabalhar?

CP: É importante ter propósito, trabalhar com o que faz sentido e não fazer as tarefas de uma máquina. Máquina ruim ainda por cima. A nossa capacidade é para a criatividade, não para tarefas rotineiras sem sentido. Só que as pessoas têm medo dos conflitos e sair da rotina traz este problema.

GM: As empresas têm como contribuir com esta mudança?

CP: Claro, as empresas precisam abolir de vez a hierarquia e trabalhar por verticais, com equipes diversas e as conexões com o trabalho precisam ser independentes. Como na Gig Economy. Os profissionais possuem autoridade, são influentes e alta capacitação, portanto são caros e só trabalham por projetos ou soluções para diversas empresas. Ao invés de eles procurarem trabalho, o trabalho é que vai até os profissionais.

GM: Estas são perspectivas que podem acontecer no futuro próximo?

CP: Isso já acontece em alguns lugares do mundo e o ano de 2021 terá saltos tecnológicos e humanos brutais. Teremos a chegada do 5G, o rebote da pandemia, o nomadismo digital e grandes mudanças nas empresas. Isso tudo vai se resumir no seguinte: Pessoas e o planeta em primeiro lugar.

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